Afonsinho
O Afonsinho é um gato com cerca de 8 anos de idade que sofria de obstipação crónica. Foi feita a medicação tradicional mas a situação tinha melhoras pouco significativas o que fazia suspeitar que algo mais se passaria.
As primeiras radiografias foram reveladoras de um colón anormalmente distendido o que constituia a chave para as suas dificuldades de defecação. O Afonsinho sofria de Megacolón. Foram tentadas medicações mais pesadas, dietas ricas em fibra e inclusivamente alguns enemas para aliviar o animal, mas tudo se revelava infrutifero para que ele pudesse levar uma vida normal e com qualidade.
Assim, foi sugerido aos proprietários, pela nossa equipa, a possibilidade de realização de uma cirurgia arriscada que poderia levar, entre outras consequências de uma cirurgia abdominal pesada, à incontinência fecal. A literatura referia que muitos donos optavam pela eutanasia destes animais atendendo às poucas garantias de recuperação.
A cirurgia consistia na remoção de praticamente todo o colón do animal, que estava irremediavelmente dilatado e com hipomotilidade, levando a que as funções do intestino grosso ficassem gravemente comprometidas, mas graças à capacidade de adaptação do organismo havia a esperança que o restante intestino pudesse assegurar essas funções perdidas.
Discutimos com os donos as possibilidades, os nossos receios, o que podia correr mal e as consequências de uma cirurgia destas dimensões, e estes decidiram dar uma hipótese ao Afonsinho para que pudesse lutar numa nova realidade e com um intestino “reconstruido”.
Num dia de Setembro de 2007, o Afonsinho foi sujeito a uma intervenção cirúrgica minuciosa e difícil, após tantas manipulações, sedações, palpações este Ser entregava-se a nós para que lhe pudessemos dar uma nova vida. Era uma grande responsabilidade e não queriamos que nada falhasse. Toda a equipa reveu os protocolos, procedimentos, discutiu e analisou a técnica mais adequada, a logística de cada tempo cirúrgico…
Como se pode ver na imagem acima o colón do Afonsinho estava dilatado e toda aquele porção teria de ser removida pois estava infuncional.
Durante o procedimento vários vasos têm de ser laqueados, têm de haver um grande cuidado para que nenhum conteúdo intestinal, na altura da remoção, possa estravasar para a cavidade abdominal podendo causar graves infecções. Após a remoção da porção afectada têm de se unir os dois topos intestinais, que possuem diâmetros diferentes, o que muitas vezes é um desafio, de forma a garantir a estanquidade da sutura.
A cirurgia do ponto de vista técnico foi um sucesso mas sabiamos que a parte mais difícil estaria para vir… a recuperação.
Os primeiros dias foram difícies para nós, apesar de boa disposição do Afonsinho, pois sabiamos que a primeira semana era crucial para saber se haveria alguma deiscência da sutura intestinal, o que é um dos risco destas cirurgias, e se o intestino estaria funcional.
A primeira defecação do Afonsinho foi para nós uma vitória e um motivo de alegria imensa. A primeira vitória da sua nova vida estava ganha.
Muitas outras se seguiram, apesar de no início as fezes estarem moles, o que é perfeitamente normal num gato sem praticamente intestino grosso, estas começaram a regularizar, o ritmo intestinal normalizou e não havia sinais de incontinência fecal.
Hoje o Afonsinho é um gato com uma vida normal, com os ritmos normais e sem nenhuma consequência da cirurgia a que foi sujeito.
Este é sem dúvida um caso de sucesso. Nutrimos pelo Afonsinho um imenso carinho e alegria quando o vemos passados 2 anos, de boa saúde, sem qualquer medicação e apenas com uma dieta intestinal.
Este é mais um milagre da Natureza patrocinado por uns donos extremosos e que nutrem por ele um carinho imenso.
Obrigado e um bem haja.
A equipa clínica.


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